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sexta-feira, 1 de julho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
quarta-feira, 8 de junho de 2016
62 - Atividade, Filosofia e Sociologia: Leitura e Análise de Textos
Orientações
O
que é análise de texto?
A análise de texto
significa estudar, decompor, dissecar e dividir para interpretá-lo. Cada parte
do texto deve ser analisado, buscando-se os elementos chaves do autor e a
relação entre as partes constituintes. A decomposição dos elementos
essenciais e a sua classificação nos leva até a ideia-chave, que é o
conjunto de ideias mais precisas.
O
objetivo da análise de texto
Aprender a ler, a ver, a
escolher o mais importante dentro do texto e familiarizar-se com os termos
técnicos, ideias, etc.; hierarquizar o conteúdo do texto; perceber que as ideias
se relacionam e, identificar as conclusões e as bases que as sustentam.
Partes
da análise do texto:
a) dos
elementos constituintes básicos,
b) das
relações entre esses elementos,
c) da
estrutura do texto.
Reelaboração do que foi
entendido do texto, resultando num resumo próprio que é também uma crítica e
reflexão pessoal.
Várias
leituras:
Primeira: serve
para organizar o texto na mente do aluno.
Segunda: Sublinhar as
ideias principais e as palavras-chaves.
Textos
para análise: 61-60-59-58-57-56-55-54-53.
61 - Política; Ta Politika; Pólis
Pólis é a Cidade,
entendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos (politikos), isto
é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais, portadores de dois
direitos inquestionáveis, a isonomia (igualdade perante a lei) e a isegoria (o
direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a Cidade deve
ou não deve realizar).
Ta politika são os
negócios públicos dirigidos pelos cidadãos: costumes, leis, erário público, organização
da defesa e da guerra, administração dos serviços públicos (abertura de ruas, estradas
e portos, construção de templos e fortificações, obras de irrigação, etc.) e
das atividades econômicas da Cidade (moeda, impostos e tributos, tratados
comerciais, etc.).
Civitas é a tradução
latina de polis, portanto, a Cidade como ente público e coletivo. Res publica é
a tradução latina para ta politika, significando, portanto, os negócios
públicos dirigidos pelo populus romanus, isto é, os patrícios ou cidadãos
livres e iguais, nascidos no solo de Roma.
Pólis e civitas
correspondem (imperfeitamente) ao que, no vocabulário político moderno, chamamos
de Estado: o conjunto das instituições públicas (leis, erário público, serviços
públicos) e sua administração pelos membros da Cidade.
Ta politika e res publica
correspondem (imperfeitamente) ao que designamos modernamente por práticas
políticas, referindo-se ao modo de participação no poder, aos conflitos e
acordos na tomada de decisões e na definição das leis e de sua aplicação, no
reconhecimento dos direitos e das obrigações dos membros da comunidade política
e às decisões concernentes ao erário ou fundo público.
60 - Vocabulário Político Grego:
Ágora:
lugar de reunião; praça pública; espaço onde aconteciam assembleias populares.
Em Atenas era também o espaço onde estavam localizadas as instituições
políticas.
Aristocracia:
governo dos melhores, dos excelentes (aristoi).
Demos:
o povo; mais tarde recebe o sentido do conjunto dos cidadãos. Originalmente
significava os territórios habitados pelos pobres.
Democracia:
regime no qual o poder pertence ao povo (demos).
Dokimasia:
espécie de exame ao qual eram submetidos os pleiteantes a cargos e encargos
públicos, que consistia em verificar, não as competências técnicas, mas as
virtudes cívicas do candidato.
Ekklesia:
assembleia popular.
Isègoria:
igualdade de direito à palavra pública, à palavra política; direito de falar
nas assembleias.
Isonomia:
igualdade de direitos perante a lei.
Koinonia tôn
politon: comunidade de cidadãos.
Meteco:
estrangeiro residente.
Monarquia:
governo de um só (monas).
Oligarquia:
regime no qual a soberania pertence a alguns (oligos) grupos.
Pólis:
cidade; comunidade política.
Politeia:
regime de governo; as instituições públicas.
Ta
politika: política.
Zoon
politikon: expressão utilizada por Aristóteles, que define o
homem como animal político.
59 - Paradoxos da Política
A política é uma
atividade específica de alguns profissionais da sociedade ou concerne a todos nós,
porque vivemos em sociedade?Usamos a palavra política ora para significar uma atividade específica – o governo –, realizada por um certo tipo de profissional – o político –, ora para significar uma ação coletiva de reivindicação de alguma coisa, feita por membros da sociedade e dirigida aos governos ou ao Estado. Afinal, a política é uma profissão entre outras ou é uma ação que todos os indivíduos realizam quando se relacionam com o poder?
A política se refere às
atividades de governo ou a toda ação social que tenha como alvo ou como interlocutor
o governo ou o Estado?
Frequentemente,
encontramos expressões como “política da escola”, “política do hospital”,
“política da empresa”, “política sindical ”. Nesse conjunto de expressões, já
não encontramos a referência ao governo nem a profissionais da política.
“Política universitária” e “política da escola” referem-se à maneira como uma
instituição de ensino (pública ou privada) define sua direção e o modo de
participação ou não de professores e estudantes em sua gestão, ao modo como os
recursos serão empregados, ao currículo, às formas de avaliação dos alunos e
professores, ao tipo de pessoa que será recebida como estudante ou como
docente, à carreira dos docentes, aos salários, e, se a instituição for
privada, ao custo das mensalidades e matrículas, etc.
Já “política da empresa”
refere-se ao modo de organização e divisão de poderes relativos aos investimentos
e aos lucros de uma empresa, à distribuição dos serviços, à divisão do
trabalho, às decisões sobre a produção e a distribuição dos produtos, às relações
com as outras empresas, etc.
Afinal, o que é a política? É a atividade de
governo? É a administração do que é público? É profissão de alguns
especialistas? É ação coletiva referida aos governos? Ou é tudo que se refira à
organização e à gestão de uma instituição pública ou privada? No primeiro caso
(governo e administração), usamos “política” para nos referirmos a uma
atividade que exige formas organizadas de gestão institucional e, no segundo
caso (gestão e organização de instituições), usamos “política” para nos
referirmos ao fato de que organizar e gerir uma instituição envolve questões de
poder.
58 - Platão (348/347 a.C.) O Governante Filósofo
Enquanto os filósofos não
forem reis nas cidades, ou os que hoje chamamos reis e soberanos não forem
verdadeira e seriamente filósofos; enquanto o poder político e a filosofia não
se encontrarem no mesmo sujeito; enquanto as numerosas naturezas que perseguem
atualmente um ou outro destes fins de maneira exclusiva não forem reduzidas à
impossibilidade de proceder assim, não haverá termo, meu caro Glauco, para os
males da cidade, nem, parece-me, para os do gênero humano, e jamais a cidade
que há pouco descrevemos será realizada, tanto quanto possa sê-lo, e verá a luz
do dia.
Eis o que eu vacilei
muito tempo em dizer, prevendo o quanto estas palavras chocariam a opinião
comum, pois é difícil conceber que não haja de outro modo felicidade possível,
para o Estado e para os particulares. Então disse Glauco: Após proferir semelhante
discurso, esperas, por certo, Sócrates, ver muita gente, e não sem valor,
arrancar, por assim dizer, os trajes, e nus, agarrando a primeira arma ao seu
alcance, precipitar-se sobre ti com todas as forças, no intuito de praticar
maravilhas. Se não os rechaçares com as armas da razão, e se não lhes
escapares, aprenderás à tua própria custa o que significa escarnecer.
PLATÃO.
A República. Trad. J. Guinsburg. São
Paulo: Editora Difel, 1965, vol. II, p. 45-46.
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