Entende-se que a
obrigação dos súditos para com o soberano dura enquanto, e apenas enquanto,
dura também o poder mediante o qual ele é capaz de protegê-los. Porque o
direito que por natureza os homens têm de defender-se a si mesmos não pode ser
abandonado através de pacto algum. A soberania é a alma do Estado, e puma vez separada
do corpo os membros deixam de receber dela seu movimento. O fim da obediência,
é a proteção, e seja onde for que um homem a veja, quer em sua própria espada
quer na de um outro, a natureza manda que a ela obedeça e se esforce por
conservá-la. Embora a soberania seja imortal, a intenção daqueles que a
criaram, não apenas ela se encontra, por sua própria natureza, sujeita à morte
violenta através da guerra exterior, mas encerra também em si mesma, devido à
ignorância e às paixões dos homens, e a partir da própria instituição, grande
número de sementes de mortalidade natural, através da discórdia intestina.
HOBBES,
THOMAS. Leviatã – Segunda Parte “Do
Estado”. Trad. de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São
Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 135. (Coleção “Os Pensadores”).
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